De olho nos pequenos pulmões: casos de afecções respiratórias infantis no Brasil podem estar relacionados ao aumento do número de queimadas no país

Por Amanda Oliveira.

O avanço das queimadas no Brasil está preocupando tanto os ambientalistas como os pediatras, devido ao aumento no número de internações ocorridas em regiões onde a incidência do evento é maior. No último ano foi registrado um crescimento de 24% no número de atendimentos a crianças no Sistema único de Saúde (SUS), o que pode estar relacionado ao aumento do número de queimadas, já que o ano de 2023 carregou o título de segundo pior ano em incidência de queimadas desde 1998.

O grupo de afecções respiratórias que engloba pneumonia, bronquiolite, bronquite dentre outras têm deslocado pais e mães de crianças entre 0 e 9 anos de todo o país, por causar desconforto respiratório, limitando a rotina desses pequenos. Alane Santos, mãe do pequeno Noah de 1 ano e meio, relata que foi pega de surpresa pelos sintomas do filho: “Noah sempre gostou muito de correr e brincar e percebi ele cansando nos últimos dias. Levei para a emergência e diagnosticaram uma pneumonia. Foi a primeira vez que meu filho precisou ficar internado”, disse a mãe da criança.

A crescente desses casos respiratórios pode refletir o aumento da crise ambiental vivida no Brasil. Desde o início deste ano até o mês de setembro foi queimada uma área equivalente a 22,38 milhões de hectares no país, o que representa um crescimento de 150% em relação ao mesmo período do ano passado. Tantos os incêndios criminosos como aqueles causados pela seca em algumas regiões do país podem estar relacionados ao acometimento de criança por afecções respiratórias. Carlos Henrique Rocha, analista de infraestrutura e urbanismo na estação do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), detalha que na análise da qualidade do ar é possível identificar essas partículas causadoras de doenças: “São partículas que conseguem passar pelas narinas, conseguem entrar um pouco mais fundo no nosso trato respiratório, causando mais problemas de saúde (...) Os incêndios, é claro, que vão piorar”, disse ele.



            Um estudo do Observa Infância*, que analisou as taxas de internação por regiões, demonstrou a tendência de crescimento das afecções respiratórias ao longo dos anos, principalmente em regiões onde as queimadas são mais incidentes, como a região centro-oeste. O gráfico abaixo demonstra o exposto neste estudo, trazendo a taxa de internação de crianças menores de 1 ano no SUS entres os anos de 2008 e 2023.



            Para evitar o acometimento por essas infecções respiratórias, algumas famílias têm investido em purificadores de ar e nebulizadores portáteis. Raiane Oliveira, mãe do pequeno Miguel de 2 anos, passou a utilizar os métodos para melhorar a respiração do filho: “Miguel sempre fica com o nariz entupido e, como ele já esteve internado mais de uma vez, a gente aqui em casa se antecipa, principalmente nos meses mais frios do ano.!”, relatou Raiane.

 

Comentários

  1. *BOX: O Observa Infância e sua importância no cenário de prevenção as mortes evitáveis de crianças até 5 anos

    O Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância) foi criado pelos pesquisadores da Patricia Boccolini e Cristiano Boccolini para trazer á luz da sociedade informações relevantes sobre a saúde de crianças menores de 5 anos. Eles trazem que o objetivo principal do observatório é “(...) ampliar o acesso à informação qualificada e facilitar a compreensão sobre dados obtidos junto a sistemas de informação nacionais.”
    Através de estudos voltados a investigar a morte de crianças menores de cinco anos, estes pesquisadores, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Bill e Melinda Gates, buscam investigar as causas evitáveis destas mortes e maneiras de preveni-las.
    Temas como queda da cobertura vacinal, mortes por pneumonia e diarreia e aleitamento materno são alguns dos objetos de estudo do Observa Infância, buscando mudar o cenário da mortalidade infantil no Brasil. As pesquisas são realizadas com apoio do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), do Centro Arthur de Sá Earp Neto (Unifase).

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