A relação das crianças com a tecnologia e o impacto no desenvolvimento social e cognitivo.
Crianças e tecnologia: qual o limite? Especialistas alertam para os riscos do uso excessivo de telas
Em um mundo cada vez mais digital, é comum ver crianças manuseando dispositivos eletrônicos desde cedo. Tablets, smartphones e computadores se tornaram parte do cotidiano de muitos lares brasileiros. Mas até que ponto essa exposição precoce à tecnologia é saudável? A discussão ganha força no mês das crianças, quando especialistas e pais buscam entender os impactos desse fenômeno no desenvolvimento infantil.
De acordo com uma pesquisa recente do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), crianças de 9 a 17 anos passam, em média, 4 horas e 20 minutos por dia conectadas à internet. Esse número representa um aumento significativo em relação à última década e levanta questões sobre como a tecnologia afeta aspectos como a capacidade de concentração, habilidades sociais e saúde mental.
Para a psicóloga infantil Mariana Ferraz, o uso moderado de tecnologia pode ser benéfico, desde que aliado a outras atividades que estimulem o desenvolvimento cognitivo e físico. "A tecnologia pode ser uma ferramenta educacional poderosa, mas o problema é quando se torna o principal meio de entretenimento e comunicação das crianças. Isso pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades sociais importantes, como o contato olho no olho e a resolução de conflitos", alerta.
A preocupação de Mariana é compartilhada por Cristina Andrade, mãe de Pedro, de 6 anos, que passou a limitar o tempo de tela do filho após perceber mudanças no comportamento dele. "Pedro começou a se irritar quando precisava desligar o tablet e tinha dificuldade para brincar com outras crianças. Foi aí que decidimos impor um limite e incentivar mais atividades ao ar livre", relata Cristina.
Por outro lado, para o engenheiro de software Eduardo Moreira, pai de Ana, de 8 anos, a tecnologia tem um papel positivo na vida da filha, ajudando-a a desenvolver o raciocínio lógico e habilidades em programação. "Procuramos balancear o tempo de tela com outras atividades, e sempre acompanhamos o que ela acessa. Acredito que o segredo seja o equilíbrio e o diálogo", afirma.
Segundo o educador Daniel Santos, a questão central é ensinar o uso consciente da tecnologia desde cedo. "Não se trata de demonizar os dispositivos, mas sim de mostrar para as crianças que existem momentos para o uso e momentos para outras atividades. Pais e educadores precisam estar atentos e oferecer alternativas que despertem o interesse das crianças para além das telas", conclui.
Escrita: Heide Anne
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